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Resiliência Climática e Análise de Cenários na IFRS S2

  • Foto do escritor: Guilherme Haygert
    Guilherme Haygert
  • 2 de fev.
  • 3 min de leitura

Série: Entendendo as Normas IFRS de Sustentabilidade


Introdução

Entre os requisitos mais inovadores e desafiadores da IFRS S2 está a obrigação de

divulgar informações sobre a resiliência climática da estratégia e do modelo de

negócios da entidade. A norma estabelece que as organizações devem utilizar a

análise de cenários relacionados ao clima para avaliar sua capacidade de se ajustar

às mudanças, desenvolvimentos e incertezas climáticas. Esta exigência representa

um avanço significativo em relação às práticas tradicionais de relato, demandando

que as empresas não apenas reportem sua situação atual, mas também projetem

como seus negócios responderão a diferentes futuros climáticos possíveis.


Reunião com três pessoas assistindo apresentação de uma tela dividida entre fábrica e turbinas eólicas. Texto: "Análise de Cenário na IFRS S2".

O conceito de resiliência climática

Conforme definido no Apêndice A da IFRS S2, a resiliência climática compreende a

capacidade de uma entidade de se ajustar às mudanças, desenvolvimentos ou

incertezas relacionados ao clima. Essa capacidade envolve tanto o gerenciamento

dos riscos climáticos quanto o aproveitamento das oportunidades relacionadas ao

clima, incluindo a habilidade de responder e se adaptar aos riscos de transição e

aos riscos físicos. A norma esclarece que a resiliência climática de uma entidade

inclui tanto sua resiliência estratégica quanto sua resiliência operacional,

reconhecendo que os impactos climáticos podem afetar diferentes dimensões

organizacionais.


A análise de cenários como ferramenta central

A IFRS S2 fornece orientação detalhada sobre como as entidades devem utilizar a

análise de cenários para avaliar sua resiliência climática. A abordagem deve ser

compatível com as circunstâncias da entidade, considerando sua exposição aos

riscos e oportunidades climáticos e suas habilidades, capacidades e recursos

disponíveis. A norma reconhece que organizações com maior exposição a riscos

climáticos provavelmente necessitarão de abordagens mais quantitativas e

tecnicamente sofisticadas, enquanto entidades com menor exposição podem utilizar

abordagens mais simples, como narrativas de cenários qualitativos. Essa

proporcionalidade é fundamental para garantir a aplicabilidade da norma a

organizações de diferentes portes e setores.


Requisitos específicos de divulgação

A IFRS S2 exige que as entidades divulguem tanto os resultados da avaliação de

resiliência quanto os detalhes metodológicos da análise de cenários. Quanto à

avaliação, devem ser divulgadas as implicações para a estratégia e modelo de

negócios, as áreas significativas de incerteza e a capacidade de ajuste no curto,

médio e longo prazo. Quanto ao método, a entidade deve informar quais cenários

utilizou e suas fontes, se a análise incluiu uma gama diversificada de cenários, se

utilizou cenário alinhado ao último acordo internacional sobre mudanças climáticas,

os horizontes de tempo e o escopo de operações considerados, além das principais

premissas sobre políticas climáticas, tendências macroeconômicas, variáveis

regionais, uso de energia e desenvolvimentos tecnológicos.


A evolução da análise ao longo do tempo

Um aspecto relevante da orientação de aplicação é o reconhecimento de que a

análise de cenários é uma prática em evolução. A norma estabelece que a

abordagem utilizada pela entidade provavelmente mudará ao longo do tempo, à

medida que suas circunstâncias, habilidades e capacidades se desenvolvam.

Também está prevista a permissão que a organização realize sua análise de

cenários de acordo com seu ciclo de planejamento estratégico, incluindo ciclos

plurianuais de três a cinco anos, desde que a avaliação de resiliência seja

atualizada anualmente. Essa flexibilidade reconhece que a construção de

capacidades para análise de cenários sofisticada é um processo gradual que se

aprimora com a experiência.


Considerações finais

A exigência de avaliação de resiliência climática por meio de análise de cenários

representa uma das contribuições mais significativas da IFRS S2 para a evolução

do relato corporativo. Para as organizações brasileiras, esse requisito demanda o

desenvolvimento de novas competências e processos internos que vão além da

tradicional elaboração de inventários de emissões. Empresas que iniciarem desde já

a estruturação de suas capacidades de análise de cenários, mesmo que por meio

de abordagens qualitativas mais simples, estarão construindo as bases para um

entendimento mais profundo de seus riscos e oportunidades climáticos e para uma

comunicação mais efetiva com investidores e demais stakeholders sobre sua

preparação para diferentes futuros possíveis.

 
 
 
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