O Pilar Essencial do ESG
- Guilherme Haygert
- 6 de nov. de 2025
- 3 min de leitura
Os temas ambientais, sociais e de governança (ESG) tornaram-se fundamentais no planejamento estratégico de grandes instituições financeiras e gestoras de ativos. A ideia de que essas entidades podem liderar a transformação rumo a uma economia mais sustentável está ganhando força. Ao irem além da simples modelagem de produtos, elas têm o potencial de ser o motor dessa mudança. Um exemplo disso é o incentivo financeiro, como o financiamento de projetos sustentáveis com taxas de juros mais atrativas, que pode oferecer vantagens significativas para a inclusão de práticas ESG nos negócios.

Exemplos de Compromissos ESG no Brasil
No Brasil, o Banco BV comprometeu-se a financiar R$ 80 bilhões em projetos sustentáveis até 2030. Este é um passo ousado em sua agenda de compromissos ESG, considerando que, em 2020, o financiamento desses projetos somou R$ 4,5 bilhões, representando pouco mais de 6% de sua carteira total. Este compromisso não apenas constitui um incentivo financeiro relevante, mas também destaca a importância de implementar projetos sustentáveis.
Além de criar uma nova linha de crédito voltada para esses projetos, o Banco BV está incorporando temas de alto impacto em seu negócio, abordando todas as dimensões do ESG. Entre seus objetivos estão a compensação de 100% das emissões diretas de gases de efeito estufa e a neutralização de 100% das emissões de CO2 de seu principal produto, o financiamento de veículos, que abrangem a dimensão ambiental. No âmbito social, o banco pretende preencher 50% dos cargos de liderança com mulheres e garantir que 35% de seus colaboradores sejam negros.
A Importância da Governança Corporativa
Esses objetivos sustentáveis do Banco BV não serão alcançados sem um forte senso de compromisso por parte de suas lideranças. A governança entra em cena quando o conselho deliberou aceitar desafios de sustentabilidade e estabelecer metas e compromissos, liderados pelo presidente do Banco BV. Sem o engajamento do Conselho de Administração e da Diretoria Executiva, qualquer plano ambicioso em termos de sustentabilidade estaria fadado ao fracasso. O Banco BV, no entanto, demonstra um forte compromisso, sendo a primeira instituição financeira privada a emitir um bônus verde com certificação internacional e a participar da primeira emissão de debêntures classificadas como Sustainability-linked Bonds (SLB).
ESG como Dever Fiduciário
A governança corporativa é importante para a inserção de temas ESG nas organizações. As gestoras de ativos já reconhecem o elo entre ESG e investimento como um dever fiduciário, sendo crucial que a gestão de recursos de terceiros e a avaliação de ativos considerem questões ambientais, sociais e de governança, tanto para identificar riscos quanto para explorar oportunidades.
ESG na Remuneração Executiva
A atenção das empresas ao ESG está se refletindo na remuneração de seus executivos, que estão migrando de um modelo tradicional de remuneração variável para um que inclui indicadores de desempenho ESG. Quando uma organização incentiva financeiramente seus gestores a se engajarem em pautas ESG, ela completa o círculo das três principais dimensões da sustentabilidade: ambiental, social e governança.
Reflexões Finais
O caso do Banco BV demonstra que o tema ESG está cada vez mais inserido na visão de negócios das organizações. Isso terá impacto na formação das lideranças e se tornará um pré-requisito para a atração e contratação de profissionais. Conselheiros devem ter a habilidade de entender e conhecer os principais impactos ambientais, sociais e de governança presentes nos negócios que aconselham, sob pena de comprometer o pilar mais relevante do ESG: a governança.
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