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Mudanças Climáticas e a Necessidade de Novas Abordagens

  • Foto do escritor: Guilherme Haygert
    Guilherme Haygert
  • 28 de fev. de 2025
  • 3 min de leitura

A crise climática em ritmo acelerado

É inegável que o planeta está enfrentando uma crise climática sem precedentes. Os registros mostram um aumento constante nas temperaturas globais, com janeiro de 2025 marcando um novo recorde de calor. A frequência e intensidade de eventos climáticos extremos, como enchentes, incêndios florestais, estiagens prolongadas e furacões devastadores, têm aumentado significativamente.

O objetivo de limitar o aquecimento global a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais já foi ultrapassado, e as projeções indicam que as consequências das alterações climáticas podem moldar drasticamente o futuro da humanidade na segunda metade deste século.



Esforços globais insuficientes

As iniciativas atuais, tanto em nível nacional quanto internacional, para combater as mudanças climáticas têm se mostrado insuficientes. Existe uma disparidade significativa entre as nações do Sul do planeta e os países mais industrializados quanto à responsabilidade e às ações necessárias.

Muitas nações, incluindo potências econômicas como a China, priorizam o crescimento econômico de curto prazo em detrimento da redução de emissões de gases de efeito estufa. Além disso, a resistência pública a medidas que possam impactar o consumo de energia ou incentivar comportamentos mais sustentáveis tem dificultado a implementação de políticas efetivas.


Uma nova perspectiva é necessária

Em vez de persistir em estratégias que têm se mostrado ineficazes, é pertinente adotar uma nova perspectiva que considere as realidades políticas e econômicas globais, mas que ainda possa promover mudanças significativas.

É preciso reconhecer que as mudanças climáticas não podem ser completamente interrompidas, mas sim gerenciadas. O consumo global de energia continua crescendo, com os combustíveis fósseis ainda representando uma parcela significativa da matriz energética mundial (Graham, 2024; Galecka & Pyra, 2024). Atualmente, cerca de 80% da demanda total de energia ainda vem desses combustíveis (Saouter & Gibon, 2024). Com o crescimento populacional e o desenvolvimento de regiões como a África, a demanda por energia tende a aumentar ainda mais, especialmente com a eletrificação e novas tecnologias como inteligência artificial, que exige grande consumo de eletricidade para alimentar data centers (Jia, 2024).

A transição energética como um processo gradual

A transição energética deve ser vista como um processo gradual. Enquanto os países desenvolvidos reduzem o uso de carvão (Yasuda, 2024; Finkelman et al., 2021), é importante incentivar a adoção de alternativas mais limpas, como o gás natural, nos países em desenvolvimento. Paralelamente, o investimento em energias renováveis deve ser estimulado através de parcerias entre os setores público e privado.

Adaptação e resiliência como prioridades

As políticas públicas precisam priorizar medidas de adaptação e resiliência em todos os níveis de governo. Isso inclui:

  • Revisão de normas de construção e zoneamento para reduzir a vulnerabilidade a eventos climáticos extremos.

  • Investimento em infraestrutura resiliente, que protege as comunidades e gera empregos.

Concentrar esforços em ações locais para reduzir a vulnerabilidade a desastres naturais pode ser uma estratégia eficaz, evitando debates ideológicos polarizados.

Uma abordagem mais pragmática para o futuro

Envolver líderes religiosos, educadores e empresários na causa climática pode ampliar o alcance e a efetividade das iniciativas. O embate ideológico sobre as mudanças climáticas tem sido um obstáculo, e buscar soluções consensuais pode gerar avanços mais concretos.

As grandes conferências climáticas internacionais têm mostrado resultados limitados. Talvez, a formação de grupos menores e especializados, focados em aspectos específicos do desafio climático e envolvendo governos e empresas-chave, possa trazer melhores resultados.

Embora deter completamente as mudanças climáticas possa estar além de nossas capacidades atuais, é possível gerenciar seus impactos de maneira eficaz e economicamente viável. Para isso, é fundamental adotar novas soluções e abordagens alinhadas às realidades contemporâneas.

Salvar a espécie humana não pode ser uma pauta política de um grupo, mas sim um compromisso global.


Referências

Graham, N. (2024). Consuming Fossil Fuels. 50–64. Disponível em: https://doi.org/10.4324/9781003412526-5.

Gałecka, A., & Pyra, M. (2024). Changes in the Global Structure of Energy Consumption and the Energy Transition Process. Energies. Disponível em: https://doi.org/10.3390/en17225644.

Saouter, E., & Gibon, T. (2024). A World Full of Energy (pp. 1–29). Disponível em: https://doi.org/10.1007/978-3-031-51332-9_1.

Jia, Y. (2024). Analysis of the Impact of Artificial Intelligence on Electricity Consumption. 57–60. Disponível em: https://doi.org/10.1109/aiotc63215.2024.10748289.

Yasuda, Y. (2024). Quantifying the reduction in coal and increase in renewables in OECD countries: Proposal for a coal-renewable energy index and map. Renewable & Sustainable Energy Reviews. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.rser.2024.114424.

Finkelman, R. B., Wolfe, A., & Hendryx, M. (2021). The future environmental and health impacts of coal. 2(2), 99–112. Disponível em: https://doi.org/10.1016/J.ENGEOS.2020.11.001.

Alnsour, M. A., Al-Omari, Z., Rawashdeh, T., & Oudad, A. (2024). Shaping Tomorrow’s Community Requires Right Decisions to be Made Today Through Investment in Sustainable Infrastructure: An International Review. Evergreen, 11(3), 1508–1529. Disponível em: https://doi.org/10.5109/7236808.

 
 
 

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