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IFRS S1: O Novo Paradigma Global para Divulgações de Sustentabilidade

  • Foto do escritor: Guilherme Haygert
    Guilherme Haygert
  • 9 de jan.
  • 3 min de leitura

Série: Entendendo as Normas IFRS de Sustentabilidade


Introdução

O mundo corporativo vive um momento de transformação sem precedentes na

forma como as organizações comunicam seus riscos e oportunidades relacionados

à sustentabilidade. Em junho de 2023, o International Sustainability Standards Board

(ISSB) publicou a IFRS S1 – Requisitos Gerais para Divulgação de Informações

Financeiras Relacionadas à Sustentabilidade, inaugurando uma nova era de

padronização e transparência nos relatórios corporativos. Esta norma estabelece

um marco histórico na evolução dos mercados de capitais globais, oferecendo aos

investidores informações comparáveis e de alta qualidade sobre como as empresas

gerenciam questões de sustentabilidade que podem afetar seu desempenho

financeiro.

Mapa-múndi com gráficos financeiros, prédios modernos e painéis solares. Texto: worton, IFRS S1, Série: Entendendo as Normas IFRS de Sustentabilidade.

O que é a IFRS S1 e por que ela importa

A IFRS S1 foi desenvolvida para exigir que as entidades divulguem informações

sobre riscos e oportunidades relacionados à sustentabilidade que sejam úteis aos

principais usuários de relatórios financeiros para fins gerais na tomada de decisões

sobre fornecimento de recursos às organizações. O objetivo central da norma é

garantir que investidores, credores e outros stakeholders tenham acesso a

informações que lhes permitam avaliar como fatores de sustentabilidade podem

impactar os fluxos de caixa, o acesso a financiamento e o custo de capital das

empresas no curto, médio e longo prazo.


A norma parte de uma premissa de que a capacidade de uma entidade gerar valor

está intrinsecamente ligada às suas interações com stakeholders, sociedade,

economia e ambiente natural ao longo de toda sua cadeia de valor. Conforme

estabelece a IFRS S1, a entidade e os recursos e relacionamentos em sua cadeia

de valor formam um sistema interdependente, onde dependências e impactos

podem dar origem a riscos e oportunidades que afetam diretamente as perspectivas

financeiras da organização.


Estrutura de divulgação: os quatro pilares

A IFRS S1 organiza as divulgações em torno de quatro áreas de conteúdo principal,

alinhadas às recomendações da Task Force on Climate-related Financial

Disclosures (TCFD). O primeiro pilar é a Governança, que exige a divulgação dos

processos, controles e procedimentos que a entidade utiliza para monitorar e

gerenciar riscos e oportunidades relacionados à sustentabilidade, incluindo

informações sobre os órgãos responsáveis pela supervisão e como as

responsabilidades estão refletidas nas políticas organizacionais.


O segundo pilar aborda a Estratégia, compreendendo como a entidade gerencia

riscos e oportunidades de sustentabilidade, seus efeitos no modelo de negócios e

na cadeia de valor, além dos impactos na posição financeira, desempenho e fluxos

de caixa. O terceiro pilar trata da Gestão de Riscos, exigindo a divulgação dos

processos utilizados para identificar, avaliar, priorizar e monitorar riscos e

oportunidades, bem como sua integração com o processo geral de gestão de riscos

da organização. Por fim, o quarto pilar contempla Métricas e Metas, permitindo que

usuários entendam o desempenho da entidade em relação a seus riscos e

oportunidades, incluindo o progresso em direção às metas estabelecidas.


A adoção global e o protagonismo brasileiro

Conforme relatórios recentes da S&P Global, até julho de 2025, 16 jurisdições já

adotaram as normas do ISSB de forma voluntária ou obrigatória, enquanto outras 20

planejam sua adoção no futuro próximo. Países como Reino Unido, Canadá,

Austrália e China estão desenvolvendo frameworks locais alinhados às normas

IFRS S1 e S2. A International Organization of Securities Commissions (IOSCO)

endossou os padrões do ISSB, enviando um sinal claro aos reguladores mundiais

sobre a confiança na implementação dessas normas nos marcos regulatórios

nacionais.


O Brasil assumiu posição de vanguarda neste cenário. Com a publicação da

Resolução CVM nº 193/2023, o país tornou-se o primeiro no mundo a adotar

formalmente os padrões do ISSB em sua regulamentação. Esta iniciativa demonstra

o comprometimento brasileiro com a transparência e comparabilidade das

divulgações de sustentabilidade, alinhando o mercado de capitais nacional às

melhores práticas internacionais.


Considerações finais

A IFRS S1 representa uma mudança de paradigma na comunicação corporativa

sobre sustentabilidade. Para as organizações brasileiras, a preparação antecipada

não é apenas uma questão de conformidade regulatória, mas uma oportunidade

estratégica de diferenciação competitiva. Empresas que se anteciparem na

implementação dessas normas estarão melhor posicionadas para acessar capital

internacional, atender às expectativas crescentes dos investidores e demonstrar seu

compromisso genuíno com a sustentabilidade. Nos próximos textos desta série

publicada no Blog da Worton, aprofundaremos aspectos específicos da IFRS S1,

incluindo os requisitos de materialidade, as conexões com as demonstrações

financeiras e as disposições de transição que facilitam a adoção gradual das

normas.

 
 
 
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