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IFRS S1 na Prática: Preparando sua Organização para a Nova Era das Divulgações de Sustentabilidade

  • Foto do escritor: Guilherme Haygert
    Guilherme Haygert
  • 26 de jan.
  • 3 min de leitura

Série: Entendendo as Normas IFRS de Sustentabilidade


Introdução

Com a obrigatoriedade das divulgações de sustentabilidade baseadas nas normas

IFRS S1 e S2 se aproximando para as companhias abertas brasileiras a partir de

2026, a pergunta que muitos executivos e gestores se fazem é: por onde começar?

A implementação dessas normas não é um exercício trivial de conformidade – ela

demanda transformações nos processos de governança, na coleta e gestão de

dados, na integração entre áreas funcionais e na própria cultura organizacional.

Neste texto, apresentamos considerações práticas para organizações que desejam

não apenas se adequar às exigências regulatórias, mas extrair valor estratégico

dessa jornada.

Edifício moderno com plantas e escadaria. Texto: "worton" e "IFRS S1 NA PRÁTICA". Tema: normas IFRS de sustentabilidade. Ambiente iluminado.

O panorama global e a urgência da preparação

Conforme dados da Bloomberg, ativos sob gestão com critérios ESG superaram

US$ 53 trilhões em 2025, representando mais de um terço do total global de ativos

administrados. Este movimento reflete uma transformação estrutural nos mercados

de capitais: investidores institucionais passaram a demandar informações

padronizadas sobre riscos e oportunidades de sustentabilidade como insumo

essencial para suas decisões de alocação de capital. A adoção das normas do ISSB

por mais de 16 jurisdições, incluindo economias como Reino Unido, Austrália,

Canadá e China, consolida um ecossistema global onde empresas com divulgações

robustas terão vantagem competitiva significativa no acesso a financiamento

internacional.

O IFRS Sustainability Symposium 2025, evento promovido pela IFRS Foundation,

destacou que quase 40 jurisdições representando cerca de 60% do PIB global estão

adotando ou utilizando de alguma forma as normas do ISSB. O presidente do ISSB,

Emmanuel Faber, enfatizou a expansão do Jurisdictional Adopters Working Group

como mecanismo para facilitar discussões entre reguladores e apoiar o papel das

normas como um verdadeiro passaporte global para divulgações de

sustentabilidade.

Diagnóstico inicial: avaliando a maturidade organizacional

O primeiro passo para a implementação efetiva da IFRS S1 consiste em realizar um

diagnóstico abrangente da situação atual da organização. Este exercício deve

contemplar a avaliação da estrutura de governança existente para temas de

sustentabilidade, identificando se há órgãos responsáveis pela supervisão e se suas

atribuições estão formalizadas em políticas internas, conforme requerido pelo

parágrafo 27 da norma. Também é necessário mapear os processos atuais de

identificação e gestão de riscos, verificando em que medida contemplam riscos

relacionados à sustentabilidade e como se integram ao processo geral de gestão de

riscos da organização.


A análise de gaps entre as divulgações atuais e os requisitos das normas IFRS S1 e

S2 é fundamental. Muitas organizações brasileiras já publicam relatórios de

sustentabilidade seguindo frameworks como GRI ou SASB. Embora esses

frameworks ofereçam base útil, as normas do ISSB possuem requisitos específicos

de conectividade com demonstrações financeiras e foco em materialidade financeira

que demandam adaptações significativas.

Construindo a infraestrutura de dados

Um dos maiores desafios práticos na implementação da IFRS S1 reside na coleta,

validação e gestão de dados de sustentabilidade. A norma exige divulgações que

conectem riscos e oportunidades de sustentabilidade aos seus efeitos financeiros,

demandando integração entre sistemas de informações financeiras e não

financeiras. A norma estabelece que dados e premissas utilizados nas divulgações

de sustentabilidade devem ser consistentes com aqueles utilizados nas

demonstrações financeiras, na medida do possível.

A construção dessa infraestrutura passa pela definição de controles internos para

dados de sustentabilidade, estabelecimento de trilhas de auditoria, implementação

de sistemas que permitam a coleta de informações ao longo de toda a cadeia de

valor e a preparação para os requisitos de asseguração externa. Considerando que

a partir de 2026 será exigida asseguração razoável no Brasil, a robustez dos

processos de coleta e validação de dados é determinante para o sucesso da

implementação.

Aproveitando as flexibilizações de transição

A IFRS S1 foi desenhada com mecanismos de proporcionalidade e flexibilizações

de transição que reconhecem a diversidade de capacidades das organizações ao

redor do mundo. O Apêndice E da norma estabelece que entidades não são

obrigadas a fornecer divulgações para períodos anteriores à data de aplicação

inicial, dispensando informações comparativas no primeiro período de reporte.

Adicionalmente, no primeiro ano, as divulgações de sustentabilidade podem ser

apresentadas posteriormente à publicação das demonstrações financeiras, desde

que respeitados os prazos estabelecidos pela regulamentação local.

A norma também permite que no primeiro período de aplicação a entidade divulgue

apenas informações sobre riscos e oportunidades relacionados ao clima, conforme

a IFRS S2, aplicando os requisitos da IFRS S1 apenas na extensão necessária para

essas divulgações climáticas. Essa abordagem de implementação progressiva pode

ser estratégica para organizações que estão iniciando sua jornada.

Considerações finais

A implementação das normas IFRS S1 e S2 representa uma jornada que vai muito

além da produção de um relatório. Trata-se de incorporar a sustentabilidade à

estratégia de negócios, aos processos de governança e à cultura organizacional. As

empresas que compreenderem essa oportunidade e se prepararem adequadamente

não apenas cumprirão requisitos regulatórios, mas se posicionarão de forma

competitiva em um mercado global onde a sustentabilidade se tornou critério

determinante nas decisões de investimento. O tempo de preparação é agora – e as

organizações que liderarem essa transição colherão os frutos de sua visão

estratégica.

 
 
 
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