GRI, SASB, ISSB: Qual Padrão ESG Faz Sentido para Sua Empresa?
- Felipe Antunes
- 25 de dez. de 2025
- 4 min de leitura
Introdução
Com o avanço da agenda ESG, empresas passaram a enfrentar um desafio recorrente: escolher o padrão certo para estruturar e comunicar seu desempenho ambiental, social e de governança. Entre os principais frameworks utilizados atualmente estão GRI, SASB e ISSB. Cada um deles possui objetivos distintos, públicos específicos e abordagens próprias sobre o que deve ser reportado. Tomar essa decisão de forma inadequada pode resultar em relatórios extensos, pouco estratégicos ou desalinhados às reais expectativas de investidores, conselhos e stakeholders. Por isso, compreender as diferenças entre esses padrões é essencial para que o ESG seja tratado como uma ferramenta de gestão e não apenas como uma obrigação formal.

O papel dos padrões ESG
Os padrões ESG surgiram para trazer consistência, comparabilidade e credibilidade à divulgação de informações não financeiras. Eles ajudam empresas a reportar riscos, impactos, práticas e resultados de forma estruturada, evitando subjetividade excessiva e discursos genéricos. No entanto, nenhum framework é universal. Cada padrão foi criado para atender necessidades específicas, e o melhor caminho depende do perfil da empresa, do setor em que atua e dos objetivos estratégicos por trás do relatório.
GRI: foco em impacto e transparência
O GRI (Global Reporting Initiative) é o padrão de sustentabilidade mais adotado globalmente. Sua principal característica é o foco em impactos da empresa sobre a sociedade, o meio ambiente e a economia. O GRI parte do conceito de materialidade de impacto, ou seja, busca identificar temas que refletem os impactos mais relevantes da organização, independentemente de serem financeiros no curto prazo.
Empresas que optam pelo GRI geralmente buscam:
alta transparência institucional;
comunicação ampla com múltiplos stakeholders;
fortalecimento de reputação e legitimidade social;
relatórios de sustentabilidade completos e abrangentes.
Por outro lado, o GRI exige maior volume de informações e maturidade organizacional, já que envolve temas variados, indicadores qualitativos e quantitativos, além de processos robustos de coleta de dados.
SASB: foco financeiro e setorial
O SASB (Sustainability Accounting Standards Board) foi desenvolvido com foco claro em investidores e mercados financeiros. Diferentemente do GRI, o SASB prioriza temas ESG que tenham impacto financeiro material sobre o desempenho da empresa. Outro diferencial importante é sua abordagem setorial. O SASB define métricas específicas para diferentes setores da economia, reconhecendo que riscos e oportunidades variam conforme a atividade exercida.
Empresas que se beneficiam do SASB geralmente são aquelas que:
possuem capital aberto ou relacionamento direto com investidores;
precisam demonstrar gestão de riscos ESG financeiros;
buscam relatórios mais objetivos e comparáveis;
atuam em setores com riscos bem definidos.
O SASB tende a gerar relatórios mais enxutos, porém altamente estratégicos do ponto de vista financeiro.
ISSB: convergência e padronização global
O ISSB (International Sustainability Standards Board) foi criado com o objetivo de unificar e padronizar a divulgação de informações de sustentabilidade com foco financeiro. Ele incorpora conceitos do SASB e do TCFD, buscando oferecer um padrão global voltado à tomada de decisão econômica. O ISSB concentra-se em riscos e oportunidades relacionados à sustentabilidade que possam afetar o valor da empresa ao longo do tempo. Sua lógica é complementar aos relatórios financeiros tradicionais.
Empresas que adotam o ISSB geralmente estão interessadas em:
alinhar ESG à estratégia financeira;
responder a expectativas de investidores institucionais;
padronizar informações em ambientes regulatórios mais exigentes;
integrar sustentabilidade à governança corporativa.
Qual padrão ESG faz sentido para sua empresa?
A escolha entre GRI, SASB e ISSB não deve ser feita com base em tendências ou pressão externa, mas a partir de uma análise estratégica. Algumas perguntas ajudam a orientar essa decisão:
Quem é o principal público do relatório?
O objetivo é transparência ampla ou foco financeiro?
Quais são os riscos e impactos mais relevantes do negócio?
Qual o nível de maturidade ESG da empresa?
Em muitos casos, a melhor solução não é escolher apenas um padrão, mas combinar frameworks de forma inteligente. Por exemplo, utilizar o GRI para comunicação institucional ampla e o SASB ou ISSB para atender investidores e governança financeira.
O papel da materialidade na escolha do padrão
Independentemente do framework adotado, a análise de materialidade é o elemento central de uma estratégia ESG eficaz. Ela define quais temas realmente importam para a empresa e seus stakeholders, evitando relatórios genéricos e desconectados da realidade operacional. Sem materialidade, qualquer padrão se torna apenas um exercício burocrático. Com materialidade, o relatório passa a ser uma ferramenta estratégica de gestão e decisão.
Como a Worton apoia essa escolha
A Worton auxilia empresas desde a identificação de temas materiais até a definição do padrão ESG mais adequado ao seu contexto. A consultoria avalia riscos, impactos, objetivos estratégicos e expectativas de stakeholders para estruturar relatórios alinhados aos padrões GRI, SASB e ISSB, com profundidade técnica e clareza narrativa. Mais do que escolher um framework, a Worton ajuda a transformar o ESG em um instrumento real de governança, transparência e valor.
Conclusão
GRI, SASB e ISSB não competem entre si, mas atendem a propósitos diferentes. Escolher o padrão ESG correto exige compreensão estratégica, análise de materialidade e alinhamento com os objetivos do negócio. Empresas que fazem essa escolha de forma consciente constroem relatórios mais relevantes, fortalecem sua credibilidade e utilizam o ESG como ferramenta de gestão, e não apenas como obrigação formal.